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quarta-feira, 7 de março de 2012

Rock na Pele – Pt. II – Os Reis da Cidade dos Cuscos


Já estava mais do que na hora da gente falar por aqui de um lifestyle que está embrenhado com a trilha sonora que o acompanha. Vamos começar dando um play nisso aqui:

http://grooveshark.com/#!/artist/Lords+Of+Dogtown/351629/songs

Você por acaso já ouviu os nomes Tony Alva, Stacy Peralta e Jay Adams? Se não, tá faltando adrenalina na sua vida, corre, vai se jogar no mar, ou numa piscina... VAZIA !!!

Esses caras encabeçavam a turma dos Z-Boys, uns garotos meio perdidos, meio achados, na selva conhecida como a Los Angeles dos anos 1970. Dogtown era um subúrbio de Venice onde a gurizada local se encontrava pra fumar maconha, surfar, andar de skate e fazer muita, mas muita festa regada a bira e rock and roll.

Z - Boys

Até que esses "cuscos" estavam dando uma passada pela Zephyr, a loja de “street stuff” do amigão Skip Engblom, e pintou a oportunidade de virar uma equipe de verdade. Eles revolucionaram o skateboard num momento em que o brinquedinho ainda era coisa de “esportistas” almofadinhas que achavam que já tinham feito tudo o que se podia fazer com o shape de quatro rodas na década anterior. Can you BELIEVE IT?

Foi nessa época que as piscinas vazias dos magnatas de Venice começaram a ser invadidas pela garotada de skate subindo e descendo as paredes das conchas (com aquele chorume básico no fundinho) até que chegasse um dono ou a polícia pra acabar com a brincadeira. Essa garotada eram os Z-Boys.

Stacy Peralta no pool riding frenético.

Sim, você tem que saber mais sobre isso. Sim, você tem que relembrar tudo isso. Alguns caminhos a se percorrer pra sacar mais sobre os reis de Dogtown:

1) Lords of Dogtown (2005) – a ficção muito preza (+ a trilha sonora).



O filme foi escrito pelo próprio Peralta. É um baita retrato do que foram aqueles dias, na forma de entretenimento puro. Reconstituição histórica de momentos decisivos na vida dos Z-Boys, as competições, os highlights, a amizade e as brigas, a atuação sensacional de todos os envolvidos, inclusive do Heath Ledger como dono da Zephyr (ganhou prêmio e tudo), e claro, uma das melhores trilhas sonoras do cinema, Social Distortion, Ted Nugent, Deep Purple, Hendrix, tudo no mesmo disco. Oh céus! É isso que eu botei no link do início do post!

2) Dogtown and Z-Boys (2001) – o documentário (+ a trilha sonora).

Depois de enlouquecer com o mainstream, você tá preparado para as captações de cenas reais da meninada, com os comentários dos “maduros Z-Men”. Produzido pelo Peralta também. Só alegria. Sim, aqui você chora com a trilha também.




3) Extras

- A fotógrafa mais querida de POA, Gabriela M.O., teve uma oportunidade sensacional de clicar o Tony Alva quando ele veio pra cá (São Paulo - Brasil) em 2010.



- Aqui em POA tá rolando um evento voltado só para as bandas de rock regionais, chamado Locals Only, referência direta aos meninos de Venice, que tocavam o pau quando entravam estranhos na zona em que praticavam. Produzido pela Overall, do Juliano Knela.


E era isso!! Até a próxima, pessoal (e te larga pra rua fazer algo muito massa).

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

O rock na pele – Parte I

The Wall
Rock na pele vai falar de moda e comportamento. Perceba que aos poucos vou criar sessões para a coluna.

Esse post é um artigo modificado. Escrevi originalmente para um blog de música que já saiu do ar. Agora vale retomá-lo, porque o Mozz tá vindo aí, e falamos abaixo de seu ídolo número 1.

***

1992. Ano em que Morrisey arrebata-se loucamente por um artista chamado Jobriath, e solicita que esse astro esquecido abra os shows de sua turnê. Mozz acaba descobrindo que Bruce Wayne Campbell, esse nosso Batman às avessas, havia falecido em 1983, sozinho em seu quarto de pirâmide com teto de vidro, por complicações da AIDS. Afinal, quem é esse cara que tem o headmaster do Smiths como maior fã?

1960-1970 - A Swinging London era uma república paralela, opositora ao Flower Power dos hippies; a era da British Invasion, quando Beatles, Stones e The Who gritavam nas rádios; quando Carnaby Street era base de qualquer pano que Twiggy vestiria nas revistas de moda, mas também fornecia material diretamente das suas latas de lixo para uma nova geração cansada de protestos, misoginia e cores neutras.

Jovens corriam pro cinema assistir o Blow Up do Antonioni, empuleiravam no muro do Reino Unido pra descobrir a nova peripécia de Andy Warhol e viviam numa atmosfera que transbordava o rythm & blues e suas influências.

Blow Up

A Swinging London era Shirley Bassey mijando na pia de um clube de quinta categoria; o luxo e o lixo, o preto e o branco e mais uma miríade de ambiguidades. Parece que o conto de duas cidades nunca acaba em Londres..Cenário perfeito para o nascimento do Glam Rock.





Então eles vieram. Bowie, Bolan, Gary Glitter, Roxy Music, Suzie Quatro e todas essas “pretty things” que deixaram o mundo não só colorindo, mas brilhando. E o Glam atravessou o Atlântico, e contaminou Lou Reed, Iggy Pop e New York Dolls.





Mas calma, daqui a pouco retomamos tudo. A graça é que, no meio desse barulho todo, quem lembraria de um caipira da Pensylvania, não é mesmo?

Vamos falar um pouco de Bruce Wayne Campbell, mais conhecido, ou pelo menos conhecido como JOBRIATH. Ele foi marco referencial de comportamento, de música, estilo, forma e putz, marketing!

Jobriath

Sua história é parecida com a de alguém que de certa forma foi “culpado” pelo seu desaparecimento do showbizz (suspense): Garotinho do interior, vai pra cidade grande (aqui, Califórnia), entra pro elenco de Hair, monta uma banda meio riponga - que vale demais o conferes, PIDGEON -, manda uma demo pro dono da hypada Eletric Circus (uma mega casa noturna), o cara se apaixona e fecha um contrato de 500 milhares com a Elektra.





Rock and roll, extraterrestres, drogas, outdoor gigante na Times Square homossexualismo... Tudo isso tá na moda, certo? Noooooot! Estamos em 1973, ninguém aqui falou até agora que era GAY! Androginia é lindo, David Bowie é bissexual, mas não poderia haver um rockstar assumido homossexualmente, ainda mais na AMERICA, terra dos bravos!

Reza a lenda que Jobriath era a resposta americana para o sucesso do tal Ziggy Stardust, era a resposta definitiva americana para o glam rock, até que o nosso Bruce Wayne começou a dizer que aqueles carinhas afeminados eram um embuste, e que ele era “pra valer”. “I am a true fairy” – dizia o ex-futuro ídolo das multidões. Não fosse por esse desabafo, talvez seria mesmo.




A fadinha glam da América gravou dois álbuns (que na verdade saíram da mesma sessão, o segundo foi uma tentativa derradeira de reparo). “Jobriath” (73) e “Creatures of the Street” (74). Ambos geniais no que se propõe o glam, sofisticado como só Jobriath poderia ser. É sim muito parecido com Ziggy Stardust, mas a interpretação do americano dá o toque final e inconfundível, algo como um Ziggy na Broadway. Difíceis de achar, prováveis na clandestinidade, as faixas que não devem ser ignoradas são: [do primeiro] WORLD WITHOUT END; EARTHLING (hmm, já viu esse nome em algum lugar?); ROCK OF AGES; o hino gay I´M A MAN; [do segundo] DIETRICH/FONDYKE; OOH LA LA; SISTER SUE; e LITEN UP.




Em 74 Jobriath já é um fracasso de vendas e um dos maiores prejuízos da Elektra Records, esquecido pelo mundo, vai se refugiar no quarto da pirâmide do Chelsea Hotel e assumir a identidade de Cole Berlin, cantor de cabaret (que na verdade se apresenta em restaurantes meia boca de Nova Iorque).

Cobertura do Chelsea. Sim, todo mundo ficou nela. Sim, você também quer.

Ainda em 74, David Bowie lida com o suicídio de Ziggy, que deixou seus fãs insanos, lida com sua própria insanidade devido às drogas, e com a mente absorta em Burroughs e Orwell. É lançado o Diamond Dogs.




O LEGADO


Jobriath desapareceu como artista, mas deixou algumas pistas da sua existência no trabalho de outros artistas.

O “american space gay man” deixa suas marcas na touquinha de Pierrot do Major Tom de Ashes to Ashes, já utilizada por ele sete anos antes (sem contar que a composição dessa persona também leva a assinatura do alemão Klaus Nomi); no nome do álbum mais eletrônico de Bowie, “Earthling” e semelhanças enormes entre a música de Jobriath que leva esse título e Fascination (do álbum Young Americans); e mesmo em 1974, na capa do Diamond Dogs (talvez a resposta de Bowie para os americanos).

Falando nessa capa, chegamos na segunda referência-mor, o encarte da trilha sonora de Velvet Goldmine e as três capas juntas (o primeiro álbum de Jobriath e o Diamond Dogs):




Encarte interno da trilha de Velvet Goldmine

Em 1998, Todd Haynes dá ao mundo a maior homenagem já feita para o glam rock no cinema. Velvet Goldmine infelizmente só circulou nos espaços alternativos, exibindo na pele de alguns poucos personagens, as características e personalidades de uma dezena deles. Jobriath está nos trejeitos e na música de Brian Slade, e mais claramente, como o anjo que passeia por cima, assistindo tudo, uma entidade do glam, o belíssimo Jack Fairy.

The true fairy, capicce?

Fotos: tudo na internet.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

O Rock nas pistas – Parte I

Disco, Disco, Good, Good



Século passado. Nos anos 50 e 60 os jovens rebeldes lotavam salões, ginásios de colégios e inferninhos para ouvir uma barulheira nunca feita antes. Nos anos 70 foi todo mundo pros parques e afins curtir um rock cabeludão ao ar livre. Mas 1977 foi o ano símbolo do punk rock. Em 77 se quebrava tudo. E de repente o movimento 77 deu um ultimato para as bandas de rock “convencionais”.

A fila do showbizz continuava andando, os rockers que colheram seus louros com profundas guitarreiras (e não a urgência do punk) não podiam voltar atrás, rasgar as roupas e sair gritando por aí. Eles sentiram a necessidade de pegar carona com a nova onda. Em alguns casos, a gravadora pressionou deveras.

A nova onda mexeu com os ânimos dos fãs, produziu tremendos fiascos, mas deu ao mundo grandes hinos, que nunca teriam sido pensados se não fosse ela, a DISCO MUSIC.



78 e 79 foram dominados por ela. A gente sabe bem. E a gente gosta. O flerte do rock com a disco rendeu algumas pérolas que a gente nunca vai esquecer. Vou listar, aqui, algumas das minhas favoritas. Sem muita ordem nem critério (mentira).

10. DEVO

Álbum: Q: Are We Not Men? A: We Are Devo! (1978)

O Devo não era disco music, e sim a continuação da invasão eletrônica que começou com o Kraftwerk e proporcionou também a tecnologia para que surgisse a disco. Mas Devo não era exatamente eletrônico, porque eles faziam a loucura toda com instrumentos orgânicos. Merece seu lugar nessa lista pela provocação explícita aos roqueiros.




9. Talking Heads

Álbum: Fear of Music (1979)

O Talking Heads entrou no rol do punk pela hora e pelo lugar, mas não pelo som. Eles já vinham flertando com o groove desde o primeiro álbum. Mas esse aqui, além de ser a minha menina dos olhos (e de um tal de John Frusciante também), é o álbum que inaugura oficialmente a estética que ficou conhecida como Art Rock, que ali nos idos de 2006, 2007 foi retomada com força. Mas esse é assunto pra outra hora. O que importa aqui é toda a ginga de Mr. Byrne e a produção de um cara chamado Brian Eno (guarde esse nome).




8. Blondie

Álbum: Parallel Lines (1978)

Acho que este era previsto. A figura da ex-garçonete do Max Kansas City Debbie Harry à frente do Blondie, já dando as caras do que seria a New Wave, não teria outra saída se não rebolasse o pandeiro. Queridinhos da EMI, e do Studio 54. E um dos hits supremos do disco-rock (opa, eu disse isso mesmo?).




7. Frankie Valli

Single: Grease (1978)

Não tem muito o que falar sobre essa aqui, só que o Peter Frampton que fez as guitas. E o Bee Gees falseteou que ela seria eterna. Aumenta o volume!




6. Patti Smith

Álbum: Easter (1978)

Não, a Patti não se rendeu à disco music. Não, o som que estrelamos aqui não tem o clima da disco music. Mas - a) é uma parceria com o Bruce Springsteen; b) é um rock pesado e dançante pra caramba, ao mesmo tempo; c) preste atenção no timbre da bateria; d) você já ouviu falar de 10.000 Maniacs; e) é uma parceria com o Bruce Springsteen.




5. Electric Light Orchestra

Álbum: Discovery (1979)

É complicado mexer com amantes do rock progressivo. E quando A banda do rock progressivo trolla os fãs dessa maneira? O que fazer? Tem muita gente que nunca perdoou a ELO por esse disco, e MUITO menos pela trilha sonora do filme XANADU, com Olivia Newton John. Mas há uma certeza. Músicos de prog sempre farão tudo da maneira mais sensacional possível.




4. Frank Zappa

Álbum: Sheik Yerbouti (1979)

Zappa tinha verdadeiro ódio da disco, ninguém faz ideia do quanto. Então ele gravou um disco inteiro de “protesto” contra esse gênero horrível, babaca, chulepa, pobretão. Um disco inteiro. Em suas próprias palavras:

Disco satisfied social as well as musical needs. Disco people got to dress up all the time and go to places (if the guy at the door let them in) where everybody sort of 'looked good' -- and later, after an evening of chemical alteration, everybody looked even better, and the next thing they knew, they were getting The Blow Job. (ZAPPA, Frank. The Real Frank Zappa Book. 1988. p.127)

Esse vídeo é pra chorar:




3. Rod Stewart

Álbum: Blondes have more fun (1978)

Chegamos no Top 3. Aqui as coisas estão mais óbvias, e você já cansou de ficar lendo. Vamos direto pro agito. Eu não consigo mensurar quantas vezes Do Ya Think I´m Sexy foi regravada. Fico com a original, a do Tom Jones, e a do Revolting Cocks.



P.S. – O video original não dá pra postar aqui, mas dá uma olhada nele, porque é eterno.


2. KISS

Álbum: Dynasty (1979)

Nenhum álbum dos listados aqui é mais impressionante que esse. O Kiss só não fica com o primeiro lugar porque, bem, você vai ver. O esforço pra ter um climão dançante e ao mesmo tempo não perder a pose de bad boys é hercúleo. Mas, confesso, anda sendo o meu disco preferido deles.

Obs.: Vocês dizem DI-NAS-TI. O Kiss diz DIE NASTY !!!




1. Rolling Stones

Single: Miss you (1978)

É. Podemos quebrar a cabeça com o assunto. Mas essa é insuperável. A ambição e necessidade de se enturmar de Sir Mick Jagger nos deu um dos maiores smash hits da disco-rock (ops, falei de novo).
Não dá pra colocar Miss You no mesmo nível que o Some Girls, que apesar de ser um baita álbum, destoa da faixa em questão.
Keith Richards explica:

A princípio não vimos nada de muito especial em “Miss You” enquanto estávamos trabalhando nela. Foi tipo “Ah, Mick foi a uma discoteca e saiu de lá cantarolando isso”. A música foi o resultado de todas as noites que Mick passou no Studio 54, aquela batida de quatro tempos no bumbo. Então ele disse: “Coloquem uma melodia nessa batida”. Nós decidimos contribuir com a ideia dele de criar alguma coisa que tivesse um ar de discoteca, deixar o cara feliz. (...) E foi um sucesso total. (RICHARDS, Keith. Vida. 2010. p. 444)





Rock nas pistas continua. Vamos vasculhar todos os buracos negros da dancefloor. Fique ligado aqui no blog da Aerial 7.